FENICAFÉ: Cerrado de MG e ES foram surpresas negativas em survey do Rabobank

O Rabobank realizou uma “crop survey”, percorrendo cinco mil quilômetros pelas principais regiões produtoras do Brasil, apontando que o Brasil terá uma produção de 56,8 milhões de sacas de café em 2018, contra 49 milhões de sacas no ano passado.

Segundo o analista sênior do Rabobank, Guilherme Morya, a pesquisa de campo revelou uma frustração, em termos de volume a ser produzido, na região do sul de Minas Gerais. “Estávamos esperando uma lavoura com uma carga muito alta, acompanhando as projeções de alta bienalidade, mas acabou não sendo isso o que observamos, principalmente na região de Guaxupé e Muzambinho”, apontou ele. Ele esteve presente na 23ª edição da Fenicafé, que acontece em Araguari no Triangulo Mineiro.

Em termos de produção, a região de sul de Minas Gerais deve ter uma safra um pouco menor, inclusive, na comparação com o ano passado, por conta do clima irregular de janeiro e fevereiro, conforme o analista do Rabobank. Para a Zona da Mata, há uma surpresa positiva. “Não esperávamos encontrar tanto café mas, rodando pela região, verificamos que o clima foi muito bom, muito favorável, e a região vai produzir um pouco acima na relação com o ano anterior”, disse Morya.

No cerrado de Minas Gerais, a expectativa é de uma produção ampla, mas sem as condições climáticas perfeitas observadas em 2016/17. “Vai ser uma safra boa, mas não tanto como naquele ano”, enfatizou. Em São Paulo, a expectativa é boa, com a produção próxima do último ano de ciclo alto. Para o arábica do Espírito Santo, houve recuperação, e o Rabobank espera um moderado aumento de produção.

 “Na verdade, o Espírito Santo foi outra região que nos surpreendeu negativamente. Porém, a perspectiva é de uma produção muito boa, afinal eles vêm de uma sequência de estiagens muito fortes. Então, vemos um crescimento expressivo, embora estivéssemos esperando um pouco mais. Talvez ocorrência de pragas explique este fato, além de chuvas irregulares, que prejudicaram produtividade”, completou.

Para o analista do Rabobank, muito se falou de supersafra, de 62 a até 65 milhões de sacas. “Para nós não existe essa supersafra. Vai ser inquestionavelmente uma excelente safra. Porém, eu acho que o mercado deu uma exagerada nas estimativas”, concluiu.

Morya falou durante a Feira Nacional da Irrigação em Cafeicultura (Fenicafé 2018), que ocorre até amanhã em Araguari, no Triângulo Mineiro.

 

Fenicafé - A Feira reúne especialistas, estudantes e produtores de café em um mesmo espaço. É uma grande oportunidade para discussão de aspectos relevantes da cafeicultura irrigada e tem contribuído para o crescente cultivo dessa modalidade no Brasil.

Promovida pela Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA), a Fenicafé é dividida em três partes: o Encontro Nacional de Irrigação da Cafeicultura do Cerrado, a Feira Nacional de Irrigação em Cafeicultura e o Simpósio de Pesquisa em Cafeicultura Irrigada. O evento acontece até quinta-feira(15), no Pica Pau Country Club em Araguari, no Triangulo Mineiro. (Fábio Rübenich (fabio@safras.com.br) / Agência SAFRAS)