Alta produtividade exige equilíbrio nutricional e diagnóstico preciso, destaca especialista

Professor alerta que excesso na adubação está ligado ao desequilíbrio e não apenas à quantidade aplicada

O manejo nutricional do cafeeiro em sistemas de alta produtividade foi tema de destaque durante a Fenicafé, em Araguari (MG). O engenheiro agrônomo e professor Dr. Tiago Tezotto, da ESALQ/USP, apresentou os desafios da adubação e reforçou a importância do equilíbrio nutricional para o desempenho da lavoura.

Logo no início, o pesquisador chamou a atenção para situações comuns no campo que evidenciam a complexidade do tema.“Muitas vezes nos deparamos com análises de solo com altos teores de alumínio, mas com raízes se desenvolvendo em profundidade. Isso mostra que nem sempre as interpretações são simples”, destacou.

Segundo Tezotto, esse tipo de situação revela a dificuldade de compreender plenamente as interações entre solo, planta e manejo, reforçando a necessidade de um olhar mais técnico e integrado.

Excesso nem sempre é quantidade, mas desequilíbrio

Um dos principais pontos abordados foi o conceito de “excesso” na adubação, frequentemente interpretado de forma equivocada.“Excesso não é necessariamente quantidade. Muitas vezes, é desequilíbrio nutricional”, explicou.

De acordo com o especialista, em lavouras de alta produtividade, a demanda por nutrientes é elevada, tornando essencial uma reposição eficiente para manter o bom desenvolvimento da planta. “Se não houver reposição adequada, a planta perde enfolhamento, compromete seu crescimento e afeta diretamente a relação entre fonte e dreno”, afirmou.

Estoque oculto dificulta recomendações no campo

Outro desafio importante destacado pelo professor é a dificuldade de mensurar com precisão o total de nutrientes presentes no cafeeiro. “Grande parte dos nutrientes está acumulada em estruturas como caule, ramos e folhas, que não são facilmente avaliadas no dia a dia”, explicou.

Esse “estoque oculto” pode comprometer a assertividade das recomendações, já que nem todo o sistema é considerado nas análises convencionais.

Diagnóstico é chave para eficiência no manejo

Para o especialista, o avanço na nutrição do cafeeiro está diretamente ligado à melhoria dos diagnósticos e das recomendações. “É fundamental entender o que o solo fornece, o que a planta exporta e o que permanece acumulado. Só assim conseguimos tomar decisões mais eficientes”, destacou.

Ele reforça que cada região apresenta particularidades que devem ser consideradas no manejo nutricional. “Não existe receita pronta. O diagnóstico preciso é o que evita desequilíbrios e aumenta a eficiência do sistema produtivo”, concluiu.

A palestra reforça a importância do conhecimento técnico aliado à prática no campo, tema central debatido na Fenicafé, que reúne especialistas de todo o país em busca de soluções para uma cafeicultura mais produtiva e sustentável.

A Fenicafé segue até o dia 16/04 no Parque Ministro Rondon Pacheco, em Araguari, no Triângulo Mineiro.

 

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