Cerrado Mineiro aposta em inovação e modelo regenerativo para fortalecer cafeicultura

Flávio de Freitas Bambini destaca desafios climáticos, custos de produção e importância da irrigação na região do cerrado mineiro

 

A cafeicultura do Cerrado Mineiro vive um momento de transformação, combinando desafios climáticos com novas estratégias de produção e posicionamento de mercado. O tema foi abordado pelo engenheiro agrônomo Flávio de Freitas Bambini durante sua participação na Fenicafé, em Araguari. Com mais de 250 mil hectares cultivados, cerca de 4.500 produtores e produção aproximada de 6 milhões de sacas, a região é uma das mais relevantes do país e passa por um processo de reposicionamento. “A Região do Cerrado Mineiro está passando por um rebranding, com foco em uma visão regenerativa. Não é apenas sobre práticas, mas sobre uma filosofia de produção e transformação do sistema agrícola”, explica.

Segundo Bambini, os eventos climáticos recentes têm impactado diretamente a produtividade e a rentabilidade dos produtores. “Períodos de frio intenso, déficit hídrico acima da média e, agora, chuvas constantes têm interferido na produção e nas margens do produtor”, destaca.

A análise de dados também tem sido fundamental para compreender o cenário atual e projetar as próximas safras. “Trabalhamos com dados da Conab e do Educampo, que validam as previsões e ajudam a entender o comportamento da produção na região”, afirma.

Um dos pontos centrais da discussão foi a importância da irrigação para garantir estabilidade produtiva. “Os dados mostram claramente que a irrigação é fundamental para dar segurança ao produtor e garantir bons resultados ao longo dos anos”, ressalta. Apesar dos avanços, ainda há desafios importantes, especialmente no manejo fitossanitário. “Ainda temos cerca de 60% do parque cafeeiro com variedades suscetíveis à ferrugem. Isso mostra que temos um longo caminho para evoluir em controle e escolha de materiais”, alerta.

O especialista também destacou a necessidade de renovação das lavouras com cultivares mais resistentes. “Estamos avançando com variedades mais resistentes e até com enxertia voltada para multirresistência a nematoides, mas ainda precisamos acelerar esse processo”, explica.

O cenário atual também exige atenção redobrada em anos com maior volume de chuvas. “Em anos mais chuvosos, o desafio da ferrugem se intensifica, exigindo manejo mais preciso e planejamento técnico”, completa.

A palestra reforça a importância da integração entre tecnologia, gestão e sustentabilidade para garantir a competitividade da cafeicultura no Cerrado Mineiro, tema central debatido na Fenicafé.

A Fenicafé segue até o dia 16/04 no Parque Ministro Rondon Pacheco, em Araguari, no Triângulo Mineiro.