Clima e falta de mão de obra desafiam cafeicultura do Sul de Minas, mas setor projeta crescimento

Produtores enfrentam cenário mais severo, enquanto renovação de lavouras e expansão indicam perspectivas positivas

 

A cafeicultura do Sul de Minas, uma das mais importantes regiões produtoras do país, vive um momento de desafios e expectativas. De um lado, o impacto das mudanças climáticas tem aumentado os riscos da produção; de outro, a renovação de lavouras e a expansão de áreas plantadas apontam para um cenário de crescimento nos próximos anos. O tema foi destaque na programação da Fenicafé, durante o painel “Panorama da cafeicultura nacional: Perspectivas das lavouras frente às condições climáticas para as safras 2025/2026 e 2026/2027”.

Segundo o engenheiro agrônomo Régis Ricco, o clima tem sido um dos principais fatores de preocupação para os produtores da região. “Temos observado secas mais longas, com temperaturas mais altas. Isso tem levado a cafeicultura de sequeiro a uma condição de alto risco, principalmente em áreas abaixo de 1.100 metros de altitude”, explica.

De acordo com o especialista, regiões de maior altitude ainda apresentam maior resiliência, mas o cenário geral exige atenção redobrada e adaptação por parte dos produtores.

Além do clima, outro desafio crescente no campo é a escassez de mão de obra, que impacta diretamente a operação das lavouras. “O maior desafio atualmente é a mão de obra. Desde serviços gerais até funções mais especializadas, como tratoristas e encarregados, temos dificuldade tanto na quantidade quanto na qualidade”, destaca.

Apesar das dificuldades, as perspectivas para a cafeicultura do Sul de Minas são positivas. A renovação das lavouras e o aumento da área cultivada devem impulsionar a produção nos próximos ciclos. “A safra atual deve ser semelhante à anterior, talvez um pouco maior. Mas, olhando para frente, com lavouras mais novas e o aumento de área, a expectativa é de uma safra superior em 2027”, afirma.

O cenário reforça a importância do planejamento, do uso de tecnologia e da adoção de estratégias que aumentem a eficiência produtiva, garantindo maior resiliência diante dos desafios climáticos e estruturais.

A Fenicafé segue como um dos principais espaços de debate técnico do setor, reunindo especialistas e produtores em busca de soluções para o futuro da cafeicultura brasileira.

A Fenicafé segue até o dia 16/04 no Parque Ministro Rondon Pacheco, em Araguari, no Triângulo Mineiro.