Fenicafé: Autoridades defendem equilíbrio entre a oferta e a demanda para o setor

Maior evento da cafeicultura irrigada do país começa nesta terça-feira(19) e segue até quinta(21), em Araguari no Triangulo Mineiro

A solenidade oficial de abertura da 24ª Feira Nacional de Cafeicultura Irrigada foi marcada por discursos de esperança. Esperança de um futuro melhor na cafeicultura; esperança de um mercado melhor; e de um equilíbrio entre a oferta e a demanda no setor cafeeiro.

Entre os presentes, destacam-se o presidente da Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA), Claudio Morales Garcia; a secretária de Agricultura do Estado de Minas Gerais, Ana Maria Soares Valentini, representando o governador do Estado Romeu Zema; o prefeito de Araguari, Marcos Coelho de Carvalho; o deputado federal Zé Vitor; o deputado Estadual Raul Belém; o presidente da Câmara Municipal de Araguari, Wesley Lucas; Francisco Sérgio de Assis, presidente da Federação dos Cafés do Cerrado; o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC) Silas Brasileiro; o diretor executivo do Mapa, Silvio Farnese, representado a Ministra de Agricultura e Agropecuária, Teresa Cristina Corrêa Costa Dias; o presidente Cecafé, Nelson Carvalhaes; o diretor da Faemg, Breno Mesquista; o secretário Municipal de Agricultura de Araguari Danilo Franco, entre outros.

Para o presidente da ACA, Claudio Morales Garcia, o café é um bem material precioso em nosso país, não só para sua economia, mas também faz parte de nossa tradição. “Nós, enquanto produtores de café, não devemos nos intimidar com a crise no setor cafeeiro. Quando temos que na verdade é estarmos prontos para buscar recursos que elevem a qualidade da produção e a competitividade nos mercados nacional e internacional. A necessidade de se atualizar e de investir na lavoura e nas técnicas de manejo vem ao encontro de uma cafeicultura mais sustentável e preparada para atender, principalmente, os desafios do Brasil quanto às demandas de consumo globais”, afirma.

Sempre conciso em seus discursos, Francisco Sérgio de Assis, da Federação dos cafeicultores do Cerrado; também falou sobre o aumento do consumo no mercado interno. “Devemos ser exemplos não só de produtor, como também de consumidor”; garante. Assis também falou um pouco da federação, que engloba 55 municípios e possui mais de 240 mil hectares de café plantados, dos quais cerca de 110 mil hectares são irrigados. É também a única região que possui a Denominação de Origem, o que garante a origem e a qualidade do café produzido no cerrado. “Feiras como esta apresentam tecnologias e soluções que garantam a alta produtividade e produtos com resistência a pragas e doenças”.

Já o presidente CNC Silas Brasileiro, parabenizou a diretoria da ACA por promover um evento como este e afirmou que os produtores são a razão deste encontro. “O desafio é grande, mas as soluções pelos governos devem gerar estímulo e incentivo ao produtor de café”, afirma.

Para Brasileiro, tão importante quanto produzir mais, é consumir mais. “Devemos incentivar o consumo, construindo uma produção com equilíbrio entre oferta e demanda; é claro que o produtor se preocupa com a renda e com a qualidade do seu produto, mas tem que aprender também a vender seu café. Devemos levar para a comunidade tudo que fazemos de bom e de importante nas áreas econômica e social”.

            Em números, Silas Brasileiro disse que o café está presente em 1900 Municípios brasileiros; gerando cerca de 8,4 mi de empregos. “Dada à importância da cafeicultura devemos produzir, vender e garantir renda ao nosso produtor”.

O deputado Estadual Raul Belém salientou o privilégio para Araguari em sediar um evento como a Fenicafé. “É hora de virar o jogo”, diz, ao se referir à crise no setor cafeeiro. “Estamos empenhados em aprovar na Assembleia Legislativa meios que possam mudar os rumos da cafeicultura no estado; colocando em pauta tudo que é de interesse dos produtores rurais de Minas Gerais; estamos também estudando a possibilidade de criação de um frente parlamentar em favor do setor, fortalecendo o nosso estado e fazendo um país cada vez maior”, destaca.

Também presente na abertura da Fenicafé, o deputado federal Zé Vitor disse que é hora de transformar o campo em um espaço cada vez mais forte. “A lei da oferta e demanda é rigorosa. A produtividade praticamente triplicou nos últimos anos, dadas as mais modernas técnicas de plantio e cultivo. A irrigação, por exemplo, é transformada em ação”, detalha, ao falar também sobre as questões ambientais. “A burocracia muitas vezes nos impede de avançar”

Zé Vitor também defendeu a manutenção e fortalecimento do Funcafé – Fundo Nacional do Café. “É hora de remar para frente. De mãos dadas para um campo cada vez mais forte”, conclui.

Representado a Ministra de Agricultura e Agropecuária, Teresa Cristina Corrêa Costa Dias, o diretor executivo do MAPA Silvio Farnese, frisou o “maravilhoso trabalho feito pela ACA através da Fenicafé. “O setor vive do dinamismo, apesar deste momento de crise. A saída é viabilizar os padrões de produtividade e competitividade. Devemos mostrar para mundo que somos competentes ao produzir nosso café e nosso foco está cada vez mais na qualidade”, completa.

O presidente da Câmara de Araguari, Wesley Lucas de Mendonça, parabenizou o tema desta edição, que em 2019, apresenta “Conecte-se ao futuro da cafeicultura”. “Só ficará no mercado a pessoa que tiver condição de inovar. Estamos passando por momentos difíceis, mas é hora de reabastecer as energias e atingir o sucesso”.

O prefeito Municipal de Araguari, Marcos Coelho deu as boas vindas aos visitantes da Fenicafé e parabenizou a ACA pela realização de mais uma edição da feira. “O evento trás em pauta assuntos de extrema relevância para os dias de hoje: a tecnologia; que visa facilitar a gestão e diminuir custos. E a ACA exerce um importante papel juntamente com todos os produtores de café do município”.

Representando do governador do Estado, Romeu Zema, a secretária de Agricultura do Estado de Minas Gerais, Ana Maria Soares Valentini, salientou a importância da pesquisa no avanço da produtividade e lucratividade. “O setor vive momentos difíceis, mas cabe ao governo oferecer ferramentas que proporcione melhores condições ao cafeicultor”. É o caso do programa Certifica Minas Café que tem como principal objetivo a implantação de boas práticas de produção nas propriedades cafeeiras do estado, de modo a aumentar a visibilidade e a competitividade do café mineiro nos mercados nacional e internacional. Segundo a secretária, o maior benefício da certificação é indireto, no sentido de melhoria na gestão das propriedades, o que torna o produtor mais eficiente. Há também uma melhoria na qualidade do café, pois há vários requisitos de boas práticas de produção a serem seguidos para a certificação.

Segundo a secretária, a SEAPA faz um mapeamento do parque cafeeiro no estado, com tamanho da área e sua produção. “Precisamos da informação, para qualquer tomada de decisão. A sustentabilidade não pode ficar em discurso, mas ir pra dentro da propriedade rural”, finaliza.

O evento foi abrilhantado ainda pela Orquestra Sinfônica do 9º Cia da Polícia Militar de Minas Gerais, que além da execução do hino nacional e tocou diversas canções de músicas populares brasileiras.

A Fenicafé é um local para quem busca informações e ferramentas com o objetivo de aprimorar a produção no campo. É referência para o produtor que busca qualidade na produção. A feira agrega também mais dois outros eventos: o 24º Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Cafeicultura Irrigada e a 21ª Feira de Irrigação em Café do Brasil, que tem por objetivo a discussão e a divulgação de técnicas e pesquisas relacionadas à cafeicultura irrigada.

Mais informações podem ser obtidas através do site www.fenicafé.com.br. Em breve serão abertas as inscrições para os interessados em participar do Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Cafeicultura Irrigada.