Ineficiência na irrigação pode comprometer mais de 70% da produção de café
Especialista alerta que falhas no sistema reduzem produtividade mesmo com custos mantidos no campo
A eficiência da irrigação foi tema de destaque no terceiro dia da Fenicafé, em Araguari (MG). Durante palestra, o engenheiro agrônomo e professor da UFU, Eusímio Fraga, chamou atenção para os impactos diretos da falta de uniformidade no sistema de irrigação sobre a produtividade das lavouras.
Segundo o pesquisador, pequenas falhas já são suficientes para gerar perdas significativas. “A cada 1% de redução na uniformidade do sistema, temos 1% de perda de produtividade”, afirmou.
De acordo com ele, conforme o desempenho do sistema diminui, os prejuízos aumentam de forma ainda mais intensa. “Entre 90% e 60% de uniformidade, a perda já pode chegar a 2% de produtividade para cada 1% de queda. E, em situações mais críticas, os impactos são ainda maiores”, explicou.
Baixo desempenho pode comprometer a lavoura
Fraga destacou que sistemas com baixa eficiência podem comprometer grande parte da produção. “Se o meu sistema tem um desempenho de 40%, a produtividade pode cair mais de 70%”, alertou.
Mesmo diante dessas perdas, os custos da operação continuam sendo os mesmos, o que agrava o impacto econômico para o produtor. “O gasto com energia continua, a retirada de água continua. Ou seja, o custo permanece, mas a produção cai”, ressaltou.
Manejo técnico ainda é pouco utilizado
Outro ponto preocupante, segundo o especialista, é a baixa adoção de ferramentas técnicas no manejo da irrigação. “Cerca de 70% das fazendas ainda não utilizam métodos estruturados para tomada de decisão”, destacou.
Ferramentas como balanço hídrico e sensores de umidade do solo são alternativas importantes para aumentar a eficiência, mas ainda são pouco utilizadas no campo.
Integração de dados é fundamental
Para melhorar os resultados, Fraga reforçou a necessidade de integrar diferentes formas de monitoramento. “Não dá para trabalhar só com balanço hídrico. É necessário calibrar com informações do solo”, afirmou.
Segundo ele, a combinação de dados climáticos, condições do solo e resposta da planta é essencial para ajustar corretamente a irrigação e maximizar a produtividade.
A discussão reforça a importância do manejo técnico e do uso de tecnologia, temas centrais debatidos na Fenicafé, que reúne especialistas de todo o país em busca de maior eficiência e sustentabilidade na cafeicultura.