Manejo correto da irrigação aumenta produtividade e evita desperdícios na cafeicultura

Especialista destaca que decisões baseadas em dados são fundamentais para eficiência no uso da água

 

O manejo eficiente da irrigação foi tema de destaque durante o Workshop Pesquisa prática na cafeicultura irrigada, na Fenicafé. Em sua palestra, o engenheiro agrônomo e professor Dr. Eusímio Fraga, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), reforçou que a irrigação moderna exige conhecimento técnico e decisões baseadas em dados.

Segundo o especialista, o primeiro passo para um bom manejo é compreender a integração entre solo, planta e clima. “A irrigação não é apenas aplicar água. É repor de forma equilibrada aquilo que a planta consome, considerando solo, sistema radicular e condições climáticas”, explica.

Entre os principais parâmetros técnicos, ele destaca a capacidade de água disponível no solo, a profundidade das raízes, a evapotranspiração e a eficiência do sistema de irrigação.

Definir o momento certo de irrigar também é decisivo para o sucesso da lavoura. “O ideal é irrigar antes que a planta entre em estresse hídrico. Isso pode ser feito por meio do balanço hídrico ou com o uso de sensores que monitoram a umidade do solo em tempo real”, afirma.

De acordo com o professor, um dos erros mais comuns ainda é o uso de calendário fixo, sem considerar a real necessidade da planta. “Irrigar por calendário, sem monitoramento, é arriscado. Pode levar tanto ao excesso quanto à falta de água, prejudicando a produtividade”, alerta.

O impacto do manejo correto vai além da produção, influenciando diretamente a qualidade do café. “Uma irrigação bem conduzida melhora o pegamento da florada, o enchimento dos grãos e a uniformidade da maturação. Já o excesso de água pode favorecer doenças e comprometer a qualidade da bebida”, destaca.

A tecnologia tem sido uma grande aliada nesse processo, permitindo decisões mais precisas no campo. “Sensores, estações meteorológicas e sistemas automatizados permitem monitorar o solo e o clima em tempo real, aumentando a eficiência e reduzindo a dependência de decisões empíricas”, explica.

Além disso, estratégias como irrigação localizada e manejo deficitário controlado têm contribuído para otimizar o uso da água sem comprometer a produção. “O objetivo é produzir mais por unidade de água aplicada. Isso é eficiência”, reforça.

Para o especialista, o monitoramento contínuo é essencial para garantir resultados consistentes. “Sem dados de solo e clima, o manejo vira tentativa e erro. Com informação, o produtor ganha precisão, eficiência e sustentabilidade”, conclui.

A palestra reforça o papel da Fenicafé como espaço estratégico para disseminação de conhecimento técnico e inovação no setor cafeeiro.