Montanhas do Espírito Santo têm safra promissora e enfrentam desafios estruturais na cafeicultura

Região alia boas condições climáticas e manejo técnico, mas ainda lida com limitações de relevo e irrigação

A cafeicultura nas Montanhas do Espírito Santo apresenta um cenário positivo para a safra de 2026, impulsionado pelas boas condições climáticas e pelo manejo adotado pelos produtores. Ao mesmo tempo, a região enfrenta desafios estruturais que exigem inovação e adaptação no campo.

O panorama foi apresentado durante a Fenicafé pelo engenheiro agrônomo César Abel Krohling, que destacou o bom desempenho das lavouras. “As lavouras estão com ótima reserva vegetativa e indicam uma safra média a alta para 2026. As chuvas de dezembro até março foram excelentes e contribuíram muito para esse resultado”, afirma.

Apesar do cenário favorável, o especialista explica que a produção apresenta algumas irregularidades. “Tivemos cerca de 10 florações, com vingamento médio e desuniformidade no tamanho dos frutos. Ainda assim, a expectativa é de uma produção em torno de 4,2 milhões de sacas”, destaca.

A região também passa por um processo de renovação das lavouras, o que deve contribuir para ganhos futuros. “Existe um crescimento na renovação dos cafezais, o que deve aumentar tanto a produção quanto a produtividade nos próximos anos”, explica.

Desafios exigem inovação e manejo eficiente

Mesmo com boas perspectivas, a cafeicultura nas Montanhas do Espírito Santo enfrenta desafios importantes, principalmente relacionados ao clima e às características do terreno.

A ausência de irrigação ainda é um dos principais fatores de risco para a produção. “O maior desafio ocorre quando temos veranicos severos na granação. Como cerca de 99% das lavouras não utilizam irrigação, isso impacta diretamente a produtividade”, ressalta.

Outro ponto crítico é o relevo acidentado, que dificulta a mecanização e aumenta a dependência de mão de obra. “O relevo é bastante inclinado, o que limita o uso de máquinas. Com a escassez de mão de obra, principalmente na colheita, isso acaba prejudicando os tratos culturais”, afirma.

Tecnologia e qualidade como diferenciais

Diante dessas limitações, os produtores têm investido em tecnologia e práticas que aumentam a eficiência do sistema produtivo. “O uso de drones para manejo de pragas, doenças e nutrição foliar tem crescido rapidamente e ajudado a manter a qualidade das lavouras”, destaca.

Embora a produtividade média ainda seja considerada baixa, a região se destaca pela qualidade do café produzido. “A qualidade é um ponto forte das Montanhas do Espírito Santo, mas ainda precisamos aumentar o volume de cafés de alta qualidade”, completa.

Integração de conhecimento fortalece o setor

As discussões sobre os desafios e oportunidades da região fazem parte do painel “Panorama da cafeicultura nacional: Perspectivas das lavouras frente às condições climáticas para as safras 2025/2026 e 2026/2027”, dentro da programação da Fenicafé. O debate reúne especialistas de diferentes regiões, promovendo troca de experiências e contribuindo para o fortalecimento da cafeicultura brasileira.

 A Fenicafé segue até o dia 16/04 no Parque Ministro Rondon Pacheco, em Araguari, no Triângulo Mineiro.